Querida A,
A sua torcida me leva às alturas!
Não sei porque quando escrevo algo q penso, me dá vontade de mandar pra vc...
Deve ser a mesma vontade que tia Z tem de mostrar pra gente ler o q ela escreve.
Acho q escrever deve andar juntinho com ler.
Mas R não gostou. Vou encaminhar pra vc nossa troca de e-mails.
Vc está viajando, ou viajou?
Li no feicebuque a Vera te perguntando se já tinha chegado.
Com saudades,
um abraço bem gostoso
da Nina
---------- Mensagem encaminhada ----------
De: R
-"-Bom dia, como tá a alegria"? Diz dona Francisca, minha faxineira rezadeira, que acaba de chegar.
-Antes de dar uma benzida na casa, deixa eu te dar um abraço que preste!" e ela me apertou.
Falando nisso, "vida nenhuma prospera se estiver pesada e intoxicada".
- objetos que você não usa,
- roupas que você não gosta ou não usa a um ano,
- coisas feias,
- coisas quebradas, lascadas ou rachadas
- velhas cartas, bilhetes,
- plantas mortas ou doentes,
- recibos/jornais/revistas, antigos,
- remédios vencidos,
- meias velhas, furadas,
- sapatos estragados...
Com o destralhamento:
- A saúde melhora;
- A criatividade cresce;
- Os relacionamentos se aprimoram...
- cansado,
- deprimido,
- desanimado, em um ambiente cheio de entulho, pois "existem fios invisíveis que nos ligam à tudo aquilo que possuímos".
- sentir-se desorganizado;
- fracassado;
- limitado;
- aumento de peso;
- apegado ao passado...
Na entrada, restringem o fluxo da vida;
Empilhadas no chão, nos puxam para baixo;
Acima de nós, são dores de cabeça;
Sob a cama, poluem o sono.
Oito horas, para descansar; Oito horas, para se cuidar."
- Por que estou guardando isso?
- Será que tem a ver comigo hoje ?
- O que vou sentir ao liberar isto?
- Para doar!
- Para jogar fora!
- livre-se de barulhos,
- das luzes fortes,
- das cores berrantes,
- dos odores químicos,
- dos revestimentos sintéticos...
e também...
- libere mágoas,
- pare de fumar,
- diminua o uso da carne,
- termine projetos inacabados.
"Acumular nos dá a sensação de permanência, apesar de a vida ser impermanente", diz a sabedoria oriental.
-"Destralhar ajuda a adocicar."
Se os sábios concordam, quem sou eu para discordar...
Texto: CS
É um arquiteto "alternativo". O sabetudo das eco-espirito-astral-
Mas identifico-me mais com o outro texto.
E meu movimento criativo tem a ver com os objetos e os lugares de minha memória.
Tem a ver com os meus saberes, e definitivamente eles não me fazem mais pesada nem travada.
Somos diferentes. Pensamos diferente. Agimos diferente. "Guardamos" diferente.
Um bj,
Nina
Aí, A,
Leia o e-mail, q por sinal é muito bonito, mas q nesse contexto ficou parecendo uma lição de moral pra mim.
Acho q ela ficou mais presa aos objetos q tenho na minha casa, do que no tema do texto que me inspirou: a atitude mental de "aproveitar tudo", não desperdiçar, na qual fomos criados, nós de nossa geralção, em contradição com o mundo descartável em que vivemos hoje.
Pra mim não resta dúvida q nossa geração é uma ponte entre o mundo conhecido e o mundo instantâneo, entre o mundo sólido e duradouro e o mundo instável.
Outro dia mesmo fiz um trocadilho com uma amiga no feicibuque com o fato de que não "ficávamos ficando" quando jovens.
Nossa geração procura assimilar esses 2 mundos, não é simplesmente entender, nós assimilamos mesmo, alteramos nosso modo de interagir com o mundo. Fomos criados ainda com resquícios do ambiente do seriado "Papai Sabe-Tudo". Pra nós esse ambiente não foi um passado longínquo, ele entranhou em nossa formação.
E a partir de aproximadamente 1980, tudo começou a mudar muito rapidamente. E nós fomos absorvendo a mudança em nós mesmos. Vivemos os 2 modos de pensar. O cérebro dos de nossa idade funciona analógica e digitalmente.
Já nossos filhos são totalmente inseridos na era do tecno-virtu-digi-rápido. A figura q me vem à mente pra descrever nosso tempo atual não é nem movimento, é mudança. Vivemos numa contínua mudança.
Minha mãe é muito moderna e despachada, mas ela não foi totalmente solicitada a funcionar digitalmente, na contínua mudança. Ela usufrui desse mundo rápido, mas o modo de pensar dela é estável. Ela não é requisitada a bruscas reviravoltas mentais.
Não sei se estou me fazendo entender.
Vamos imaginar o que é conhecer uma vitrola ou um aparelho de som para os que nasceram antes da década de 50.
Vamos imaginar o que é conhecer um aparelho de som e um iphone e ipad para os que nasceram da metade do século 20 até meados da década de 70.
E vamos imaginar o q é conhecer todos os aparelhos smartphones e ipads q vão surgindo a cada ano para os que estão na faixa dos 30 anos pra baixo.
Nesse exercício de imaginação notamos a sutileza (nada sutil) da forma pensante.
Nessa diferença da forma pensante é que reside toda a questão.
A estrutura mental, como se pensa, como se vê, como se interage, como se age, enfim, tudo é diferente entre o antes e o depois do mundo tecno-descartável.
E nós ficamos no meio. Nós pensamos, vemos, interagimos, agimos, das 2 formas.
Essa é a questão.
É sobre isso q a crônica do cara, e a minha ponderação posterior, trata.
O guardar muito ou pouco objeto de recordação e coisas velhas é um detalhe.
Eu guardo muito. Minha amiga pode guardar muito pouco, mas nós 2 sentimos essa mesma sensação de estarmos sempre sendo solicitadas a pensar das 2 formas, a estável e a instantânea, a duradoura e a descartável, a analógica e a eletrônica-nano-digital.
Nossos pais eram do tempo das ciências humanas e das exatas.
O tempo atual é o no qual a física e a química se misturaram, o mundo é relativo, instantâneo e descartável.
E nós, nós funcionamos com a dupla voltagem.
Bjs,
N

